quarta-feira, 27 de junho de 2012
Poemas
Saudade de Boqueirão
Boqueirão terra querida
Terra do meu coração.
Quem me dera que estivesse aí
E não nessa solidão.
Sozinha, pois me encontro
Sinto um aperto no coração.
De saudades e de lembranças
De outras noites de São João.
Lembranças que me acompanham
Da minha terra e minha gente.
Que nas noites de São João
Deixava-nos bem contente.
Quem me dera que voltasse
Aqueles tempos de outrora.
Para reviver tudo aquilo
Que estou relembrando agora.
Ah! quem me dera
Que nesta noite de São João.
Eu estivesse aí
Na minha amada Boqueirão.
Autora: Antonia Oliveira
Clamor de Mulher
Eu sou mulher
Por isso quero clamar
Pela nossa integridade
Que seja física ou moral
Não posso mais suportar
Vendo tantas irmãs nossas
Sendo violentadas e mortas
Não dar mais para agüentar
Eu clamo as autoridades
Da terra e também do Céu
Por nós, que somos mulheres
E estamos em perigo
Porque alguns do sexo oposto
Já não quer nos dar carinho
E sim, nos mandar para o céu
Clamo todas as mulheres
De todas as raças e classes
Para nos acoplarmos
Em prol da nossa vivência
Porque se continuar assim
Iremos desaparecer
E quem restar adoecer
De uma tal androfobia.
Autora: Antonia Maria de Oliveira
Lá vem Maria
Lá vem Maria
Com uma lata vazia,
Deve ir buscar água
Para matar a sede.
Vem descendo a ladeira
Toda encabulada,
Deve ir buscar água
Para fazer a comida.
Lá vem Maria
Com uma corda na mão,
Deve ir buscar lenha
Para cozinhar o feijão
Vai caminhando
Na travessia
E cantarolando uma canção
Que é Aza Branca
Do Gonzagão
Lá vem Maria
Com uma varinha na mão
Vai tangendo uma vaquinha
E um bezerrão
Deve ir levá-los
Para comer pasto
Ou mesmo tomar água
No ribeirão
Lá vem Maria
Com seu vestido de Chita
Trazendo nos cabelos
Um laço de fita
Vai subindo a ladeira
Como lavadeira
Com uma bacia na mão
Lavou suas roupas
Nas águas do Boqueirão.
Autora: Antonia Maria de Oliveira
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