terça-feira, 17 de agosto de 2010

Educação e Tecnologiia

A essência da inclusão digital está na universalização e democratização das informações e em promover mudanças no melhoramento da qualidade do padrão de vida de uma sociedade ou comunidade. Neste contexto, as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), em especial a Internet, são meios potenciais e fundamentais para a socialização da informação e disseminação irrestrita do conhecimento.
Nas escolas, esta discussão perpassa pela preocupação com a apropriação das Novas Tecnologias do Conhecimento (NTCs), principalmente do computador, pelos educadores e as contribuições que estas podem trazer para o processo de ensino e aprendizagem. Segundo Vilares e Silva (2006, p.271) “as tecnologias de informação e comunicação trouxeram uma nova maneira de ver e apreender o mundo, assim como transformaram as formas de se construir o conhecimento e de se ensinar e aprender”.
Os ambientes escolares precisam das tecnologias digitais para o melhoramento de seus processos formativos. Esta contribuição não deve implicar em mudanças minimalistas, apenas visuais ou estéticas, adornos ao processo ensino-aprendizagem, mas na produção de resultados satisfatórios no desenvolvimento de aprendizagens cada vez mais ricas e significativas. Moran afirma nesse contexto que:
Não se trata mais de privilegiar a técnica de aulas expositivas e recursos audiovisuais, mais convencionais ou mais modernos, que é usada para a transmissão de informações, conhecimentos, experiências ou técnicas. Não se trata de simplesmente substituir o quadro-negro e o giz por algumas transparências, por vezes tecnicamente mal elaboradas ou até maravilhosamente construídas num PowerPoint, ou começar a usar um data show. (2000, p. 143).
Vale destacar que o centro do processo ensino-aprendizagem é o aluno, e a comunicação entre este e o educador deve proporcionar motivações para que haja um sentimento de liberdade e para que este educando sinta-se a vontade para fazer uso de suas criatividades, tornando-se sujeito de sua aprendizagem mediada pelo educador (co-criação), como diz a seguinte citação de Marco Silva:
Diante deste panorama, procura-se refletir como favorecer o surgimento de uma mudança efetiva na relação professor/aluno para chegar à comunicação educacional baseada na interatividade, entendida neste estudo como uma forma comunicacional onde a transmissão de informações dá lugar à co-criação e, em vez da recepção passiva, é estimulada a participação, ao mesmo tempo em que se buscam mecanismos para que o professor procure coadunar a sua prática pedagógica à emergência desta dinâmica comunicacional. (2001)
Paulo Freire (1996, p. 27) já dizia que “aprender é um processo que pode deflagrar no aprendiz uma curiosidade crescente, que pode torná-lo mais e mais criador”.
É clara, portanto, a necessidade da formação continuada de professores, pela necessidade de se acabar com o paradoxo da divergência entre conceitos e práticas ultrapassados (ou mesmo inadequados) aplicados no cotidiano escolar e às necessidades de novas práticas docentes a caminho de uma nova educação.
Referências:
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 25. ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996;
MORAN, José Manoel et al. Mediação Pedagógica e o uso da tecnologia. In Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. Campinas: Papirus, 2000;
SILVA, Marco. Sala de Aula Interativa. Rio de Janeiro: Quartet, 2001;
VILARES, Ana Regina e SILVA, Marco. A Docência no Laboratório de Informática: Um Relato de Pesquisa. In Práticas Pedagógicas e Tecnologias Digitais. Organização de Edméa Santos, Lynn Alves. Rio de Janeiro: E-papers, 2006, p. 271-284.

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